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BRASIL

Museu judaico de SP: polifonia para desfazer preconceitos

por Sabrina Abreu

Com inauguração prevista para 2020, instituição tem curadoria dedicada a evidenciar a diversidade da identidade judaica e do judaísmo.

 

Projeto em andamento há sete anos, o Museu Judaico de São Paulo tem sua aguardada inauguração prevista para 2020. No Centro da cidade, com a cúpula em azul e branco que remete a uma kipá, o prédio chama a atenção de quem passa pelos arredores da Rua Avanhadava. Lá dentro, na exposição permanente, poderá ser vista -- e ouvida --  a conexão entre a comunidade judaica brasileira e a história, a sociedade e a cultura do país. "Diferente do que algumas pessoas possam pensar,  o museu não é sobre judeus paulistanos,  mas de todo Brasil", esclarece a historiadora Roberta Sunfeld, diretora executiva da instituição.

 

Estão contempladas no museu colônias judaicas as mais diversas, como a de Pernambuco, formada por  holandeses, no Século XVII, e a do Pará, cujos primeiros membros chegaram do Marrocos, a partir da metade do Século XIX. A presença judaica no Brasil, aliás, é tão antiga quanto a dos colonizadores portugueses. Nas caravelas de Pedro Álvares Cabral, havia judeus que fugiam da perseguição do Santo Ofício, na Península Ibérica. O museu se propõe a revelar os múltiplos desdobramentos dessa presença.

 

Abrangência e inclusão são palavras de ordem para a equipe responsável pela curadoria. "É um museu sobre judeus, mas não exclusivamente para judeus", esclarece a arquiteta Beatriz Blay, uma das curadoras. Nesse sentido, apontar para a diversidade que existe dentro da religião e da identidade judaica faz parte da narrativa que amarra toda a exposição e ajuda a romper preconceitos.

 

A aposta do museu é pela polifonia, como explica Beatriz, e, em alguns pontos, isso se dá  de modo literal. Numa das principais instalações, os Dez Mandamentos -- um dos mais conhecidos trechos da Torá --, serão recitados de duas formas: uma à moda da tradição sefaradita e outro, como é próprio dos asquenazim.  Por meio dos sons variados "o visitante poderá perceber como, os mesmos versos, da mesma liturgia religiosa, na mesma língua ganham interpretações e melodias distintas", aponta. A mensagem  é que judeu ou judaísmo não pode ser definido apenas de um modo.

 

Reforçando essa premissa, depoimentos de judeus brasileiros poderão ser ouvidos em totens espalhados pelos corredores. Com sotaques de todas as regiões do país, esses testemunhos também apontam para sua identidade, religião e cultura, que pode ser descrita e vivida individual e coletivamente de diferentes formas.

 

Apesar de o foco ser o Brasil, dois outros países ganham destaque na mostra: a Alemanha, durante o período Nazista, e Israel, especialmente no período de sua criação. "Não poderia ser diferente, porque o Holocausto e a fundação de um país para os judeus são fatos profundamente marcantes para a comunidade judaica no século XX", explica Roberta.

 

O prédio da Rua Matinho Prado é uma atração à parte. Antiga sede da Beth-El, a primeira sinagoga da cidade fora do Brás e do Bom Retiro, redutos iniciais da comunidade judaica paulistana, foi inaugurada em 1932, por russos, poloneses e imigrantes de outros países do Leste Europeu, como uma das primeiras edificações de concreto armado da cidade, tornando-se uma referência em sua arquitetura. Em 1999, os membros da Beth-El passaram a se reunir para o serviço religioso num novo espaço, nos Jardins. Desocupado, o edifício, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico, começou a se preparar para a transformação num museu, em 2012.


Foi com engenhosidade que uma nova e mais moderna ala se adequou às instalações da década de 1990, as quais tinham que se manter originais. O projeto arquitetônico assinado por Boti-Rubin, também revela a ligação entre passado e presente, tão cara à linha narrativa do museu. Nele, conviverá  o letreiro do portal principal, feito pelo artista plástico Samuel Roder, que diz "casa de oração para todos os povos", e aparatos tecnológicos, os quais, , por meio de projeções, ajudarão a mostrar diferenças e semelhanças das comunidades judaicas surgidas e sedimentadas no Brasil Colônia, Império ou República.

 

A amplitude do tema e do acervo também acompanha a extensão do público-alvo. O museu espera receber estudantes de escolas públicas, a comunidade evangélica e pesquisadores acadêmicos, entre outros visitantes judeus e não judeus. Eles deverão ser atraídos por séculos de história e uma reserva técnica de mais de 1 milhão de páginas de documentos, 100 mil fotografias e 2500 objetos tridimensionais, dentre os quais foram escolhidas as centenas de peças que poderão ser vistas, finalmente, a partir do ano que vem.

 

Museu Judaico de São Paulo. Rua Martinho Prado, 128, Bela Vista,

11 3258-1396   http://novo.museujudaicosp.org.br

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