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BRASIL

Lançado há uma década, o livro  “Um Estado, Dois Estados”, de Benny Morris, continua sendo leitura indispensável para quem quer entender o conflito

por Camila Crespin

 

O conflito Israelo-palestino é característico de polarizações influenciadas por divergências ideológicas, manipulação de informação e disputa de interesses. Essa problemática já passou por tentativas de acordos de paz, mas a falta de resultados efetivos leva a consideração de uma solução de um estado na região para palestinos e israelenses. Entretanto, uma resolução como essa demonstra não ser a melhor opção para ambos os lados e poderá ser apenas uma forma de prolongar o conflito já existente.

Enquanto uma abordagem binacional, isto é, duas realidades nacionais no contexto de um Estado (entre o Mar Mediterrâneo e o rio Jordão), é vista como uma alternativa para a paz na região, para alguns historiadores, como Benny Morris, essa é uma solução utópica.

Lançado há uma década, o livro "Um Estado, Dois Estados" (Editora Sêfer) é dedicado a elencar argumentos contra a opção do Estado único. A adoção de um Estado binacional compreende a existência na região de uma paridade demográfica de árabes muçulmanos e judeus. Porém, segundo a estimativa de Arnon Sofer, geógrafo da Universidade de Haifa, em torno de 2020 o número total de habitantes na região é de 6,4 milhões de judeus e 8,8 milhões de árabes (o índice de natalidade árabe é um dos maiores do mundo), o que os tornaria uma maioria substancial, podendo acarretar na formação de um Estado-nação árabe incorporado em um modelo político binacional.

Para a formação de um único Estado na região ser efetiva deverá haver um consenso de colaboração e confiança por ambos os lados, segundo afirma o próprio porta voz de Al-Husseini (líder muçulmano religioso do nacionalismo palestino), Albert Hourani, professor de história da Universidade de Oxford. Entretanto, o nacionalismo árabe, datado de 1920, defende a formação de um Estado árabe muçulmano no território completo da Palestina, objetivo que conservam até hoje. O grupo Hamas e a Jihad Islâmica também preconizam a geração de um Estado árabe muçulmano na região. Por outro lado, os sionistas acreditam que o Estado de Israel tem a função de responder ao problema judaico, onde os judeus pudessem ser livres em sua terra, na qual devem possuir direito à autodeterminação. Ou seja, um Estado binacional não possui um ponto de apoio fortemente consolidado nem entre árabes palestinos nem entre israelenses.

 

É importante considerar também que durante os anos de 1947 e 1948, no contexto da criação do Estado de Israel, ocorreram diversos pogroms contra comunidades judaicas na região. Com a formação de um Estado binacional para judeus e árabes muçulmanos, é possível que episódios como esses possam se repetir, visto que grupos de extrema influência política sob os palestinos, como a Jihad Islâmica, o Hamas e até mesmo o Fatah, afirmam ser imoral e ilegítimo um Estado judeu em qualquer parte da Palestina.

Por outro lado, há a alegação que a solução de um Estado poderá acabar com a condição precária que os palestinos vivem na Faixa de Gaza. O maior inimigo do povo palestino na região são consideravelmente os políticos do Hamas, que a governam, e sendo eles contra a solução de um Estado, não irão assegurar a paz caso isso venha a acontecer e poderão incentivar manifestações violentas, assim como feito nas Intifadas nos anos de 1987 e 2000.

Ainda há a suposição de que solução de um Estado poderá acabar com o confronto religioso pela cidade de Jerusalém. Entretanto, Jerusalém continuará sendo disputada uma vez que trata de um conflito muito além de apenas político, mas também, religioso.

Dessa forma, a resolução de um Estado para o conflito Israel-Palestina apenas acarretará na substituição de um Estado por outro, composto majoritariamente por uma população árabe muçulmana devido a sua maioria substancial que poderá vir a tona na próxima década. Esse é o ponto central entre os argumentos de Morris. Ademais, a falta de consentimento por essa resolução de paz por ambas as partes não irá fazer dessa uma solução, mas um prolongamento de um conflito que se tornará ainda maior e mais complexo, podendo vir a se tornar uma guerra civil. Trata-se de uma resolução completamente utópica e um tanto quanto duvidosa que acarreta outro questionamento: por que uma grande Palestina é preferível à Israel, visto que esta seria a consequência da tal resolução?

 

*Camila Crespin é estudante de Relações Internacionais na FGV e coordenadora de juventudade da StandWithUs Brasil

NOTA: As ideias contidas nos artigos não necessariamente refletem a opinião da instituição.

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