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David Marcus e o Altalena

Por Samuel Feldberg, Ph.D.*

Neste mês de junho, há 72 anos, o recém-nascido estado de Israel travava as primeiras batalhas de grande porte por sua sobrevivência, após ter sido atacado pelos países árabes vizinhos e uma força expedicionária do Iraque. Mas desde a decisão sobre a partilha, em novembro de 1947, uma guerra civil já estava em curso, na tentativa de controlar os acessos às principais cidades e comunidades judaicas espalhadas pela Palestina mandatária. As forças israelenses eram compostas principalmente por brigadas do Palmach, as lendárias tropas de choque que desde a década de 1920 protegiam as comunidades judaicas dos ataques de grupos árabes, mas agora se fazia necessário também criar um exército formal para enfrentar as forças armadas dos países vizinhos, especialmente a bem estruturada Legião Jordaniana, treinada e equipada pelos ingleses.

A experiência israelense com movimentos coordenados de tropas limitava-se à participação de voluntários judeus junto aos ingleses na Segunda Guerra Mundial e o emprego de equipamentos adquiridos dos excedentes norte-americanos exigia a formulação de uma nova doutrina.

Pouco depois da partilha Ben Gurion enviou aos Estados Unidos um representante da Haganá em busca de um general experiente que estivesse disposto a colaborar na transformação das milícias israelenses em um exército nacional moderno.  David Marcus, que havia participado da invasão da Normandia e se horrorizado com a libertação dos sobreviventes dos campos de concentração, concordou em apoiar o esforço, chegando à Palestina em fevereiro de 1948. Marcus propôs a criação de uma escola de oficiais e produziu manuais de treinamento além de planejar a estrutura de comando do exercito em formação. Seus ensinamentos provaram sua eficácia durante os primeiros estágios da Guerra de Independência, tendo sido seu feito mais famoso a abertura do chamado “Caminho de Burma” que permitiu, às vésperas da primeira trégua imposta pela ONU, romper o cerco a Jerusalém e garantir o abastecimento da cidade sitiada.

 Em reconhecimento pelo seu trabalho, Ben Gurion nomeou Marcus como o primeiro general do recém-criado exército israelense.Mas Marcus não sobreviveria para ver a vitória que ajudou a preparar; poucas horas antes de entrar em vigor a primeira trégua da guerra, em 11 de junho de 1948, Marcus foi vítima de um acidente no acampamento militar em que se encontrava, ao lado do vilarejo de Abu Gosh. Uma sentinela não o viu sair para uma caminhada noturna e, ao retornar, foi morto com um tiro no peito.

Marcus foi enterrado no cemitério militar de West Point, o único soldado morto em combate sob uma bandeira estrangeira a receber esta honra. Sua história, romanceada, foi imortalizada na obra de Leon Uris, “A Sombra de um Gigante”, assim como no filme de 1966 estrelado por Kirk Douglas.

 

Na mesma época, quando já estava em vigor este primeiro cessar fogo que interrompeu o conflito entre Israel e as forças árabes, chegava à costa da Palestina um navio transporte de equipamento militar adquirido nos EUA pelos representantes do Movimento Revisionista. O navio havia sido carregado com armas francesas (os franceses apoiavam qualquer ação que se opusesse aos interesses ingleses na região) e trazia também mais de 900 imigrantes europeus em idade militar, ambos proibidos pela ONU durante o período da trégua.

Com a declaração de independência, o primeiro ministro Ben Gurion havia unificado as forças paramilitares do Ishuv e criado o Exército de Defesa de Israel.  O Irgun, grupo paramilitar do Movimento Revisionista foi integrado a duas brigadas mas, na região de Jerusalém que não havia sido incluída na partilha, lutavam contra os árabes de forma independente. E seus líderes almejavam receber, para essas tropas, parte das armas do Altalena.

Ben Gurion interpretou a exigência de Menachem Begin, líder do Irgun, como uma afronta ao conceito de monopólio da força do recém-criado estado e ordenou que os armamentos fossem entregues ao exército. Com a recusa do comandante do navio, forças lideradas por Itzhak Rabin, por casualidade o comandante de mais alto posto presente em Tel Aviv naquele momento, bombardearam o navio que, carregado de munições, logo se incendiou.

Menachem Begin, que em 1977 se tornaria primeiro ministro de Israel sempre foi lembrado por sua decisão de evitar responder ao ataque, recusando-se a iniciar uma guerra civil, em que judeus matassem judeus.

O episódio foi finalizado com o afundamento do Altalena após a sua evacuação, e a morte de 19 combatentes, a maioria deles do Irgun. Passados 72 anos, é até os dias de hoje um fantasma que assombra a história política em Israel.

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